Novo filme de Walter Salles, ‘Linha de passe’, trata de futebol e evangélicos
Novo filme de Walter Salles, 'Linha de passe', trata de futebol e evangélicos

Em Cannes para apresentar seu novo longa-metragem, "Linha de passe", o diretor brasileiro Walter Salles está a apenas algumas horas de conseguir ter a primeira noite decente de sono… em 17 dias. Em entrevista a jornalistas brasileiros na tarde desta sexta-feira (16), em Cannes, Salles revelou que "Linha do passe", seu novo longa-metragem, foi finalizado ontem, na marca do pênalti para a exibição na mostra competitiva do festival, que será realizada na manhã deste sábado.
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"A cópia do filme que vocês vão ver ficou pronta ontem ao meio-dia a tempo de pegar o avião. Estava em Los Angeles quando o anúncio da seleção saiu e fizemos a mixagem em seis dias", contou.
Dirigido em parceria com Daniela Thomas, o filme conta a história de quatro jovens da periferia de São Paulo, filhos de mãe solteira. Para Salles, a obra trata de "jovens que tentam se reinventar na periferia", seja por meio de trabalhos como motoboys, seja pela religião ou mesmo pelo futebol.
"O universo do futebol nas chamadas peneiras (seleções de jogadores em clubes profissionais) é muito diferente do que a gente vê. Lá, ele é visto ao mesmo tempo como uma possível saída para milhões de jovens, mas também pode ser uma decepção que acontece muito cedo na vida", explica Salles.
Sobre a briga pela Palma de Ouro, o diretor diz que não arrisca palpite sobre a tendência do júri deste ano, presidido pelo astro Sean Penn. "Só sei que ele é um grande ator e diretor", afirma. "Não faço idéia se temos chance ou não."
Na disputa, Walter Salles vai enfrentar outro brasileiro, Fernando Meirelles que, com Matheus Nachtergaele, que participa da mostra Um Certo Olhar, engrossa a representação brasileira no festival. "Fazia tempo que não tínhamos tantos brasileiros selecionados, mas é interessante perceber que não há uma unidade entre os filmes. Não é como no cinema argentino, em que a produção é mais homogênea", diz Salles. "Mais importante do que a quantidade de filmes brasileiros no festival é a quantidade de filmes latino-americanos, somados. Isso sim é representativo."
Diego Assis, do G1, em Cannes
Foto: Diego Assis/G1



O ator brasileiro Rodrigo Santoro não engoliu a provocação de um repórter da imprensa chilena durante a entrevista coletiva do filme "Leonera", realizada na manhã desta quinta-feira (15) durante o Festival de Cannes. O atrito foi causado depois que o jornalista parabenizou o diretor argentino Pablo Trapero por seu filme especialmente "por se tratar de um cinema nacional, diferente dos mexicanos e brasileiros que estão fazendo filmes para exportação".
Aplaudido com entusiasmo após a primeira sessão para os jornalistas, o longa de Trapero (de "Família rodante" e "Nascido e criado") confirma a boa fase da produção cinematográfica argentina. Como o título do filme, que significa um lugar de trânsito onde os presos esperam para serem julgados ou transferidos, o filme consegue alternar bem entre o drama pessoal da personagem principal, Julia, e um retrato humanizado do sistema prisional argentino.





